Envelope Sonoro

WTF is XXYYXX?

XXYYXX é o nome do projeto de um jovem produtor de 17 anos, Marcel Everett.

Marcel trabalha fora criando uma música harmoniosa que provoca emoção e transmite imagens vívidas de paz e tristeza. Sua música tem sido destaque em canais como XLR8R, The Drop Needle, Earmilk, Shuffle Indie, BIRP e muitos mais.

Seu último trabalho anda mexendo com a cabeça de produtores e gerando comentários além de parcerias lindas com outras acenções como Giraffage e GRANT

XXYYXX mescla elementos e sonoridades do jazz, vocalizes femininos, timbres, silêncios e espaços entre os sons, tudo aliado ao downtempo.

Vale a pena sentar, ouvir e sentir!

Expresso do fim do mundo

A psicodelia nordestina tem nome, “Semente de Vulcão”.

A banda nascida em Recife, desde 2008 quando soltou seu EP antes mesmo do primeiro show, não lança nada. E anunciou nas listas de e-mails que o primeiro disco da banda dai agora em dezembro de 2012.

O que gera bastante espectativa ja que a sonoridade mudou bastante desde o lançamento das primeiras músicas.

A Semente de Vulcão nasceu do vício, no relato de Léo Stegmann ele conta como ele e seu primo João começaram.
 “Eu e João somos primos. Éramos daqueles primos de segundo grau que só se viam de quatro em quatro anos, em alguma data comemorativa. Foi num desses raros encontros que recebi dele um CD de uma banda de frevo da qual ele era o vocalista e principal compositor. Trocamos os contatos e começamos a bater papo sobre música. Em um desses papos surgiu o convite para formar uma banda. Marcamos de nos encontrar para ele me mostrar suas músicas. Acho que escutei umas sete canções de João, tocadas ao violão, mas não conseguia me identificar com nenhuma delas. Foi aí que, totalmente despretensioso, ele me disse que tinha uma música nova. Era “O Vício”. Pedi para que ele parasse o que estava tocando e disse: Se quiser formar uma banda comigo é esse o estilo que vamos seguir. E daí realmente foi plantada a Semente.”

“Muitos morrem do vício, já nós, nascemos dele – ou dela, como assim preferirem.”Para baixar o EP e acompanhar o “prelúdio” do disco :www.sementedevulcao.com.o.

Aleluia

’It’s all of me and none of me, if you can’t see that, you won’t get it’. What I call it is totally arbitrary, but I like the name. You’ve got to have a name. I never got to choose mine.”
É com uma frase de Philip Roth que “Father John Misty” ou Josh Tillman começa a descrever o que pensa sobre o ser.

Musicalmente seu som caminha entre pântanos e vales no seu disco Fear Fun a voz de Tillman nunca foi melhor e em muitas vezes soa como Roy Orbison, mantém a disparidade com o som obscuro e denso. “Liricamente, seus sonhos absurdos de dor e prazer suscitam em medidas iguais, o poder contundente descritivo de Bukowski, a filosofia hedonista de Oscar Wilde e a sagacidade seca de Loudon Wainwright III.”

O disco que foi lançado no começo de maio desse ano pela SubPop e Bella Union vem devagar pelo Brasil, porén o lançamento do clipe “Hollywood Forever Cemetery Sings” dirigido por Noel Paul vem tirando comentários e espanto de quem ainda não conhecia o trabalho de Tillman.

“Eu era honesto comigo mesmo sobre o que a música realmente excita a minha alegria às glândulas quando eu estava considerando os arranjos e instrumentação”, diz Tillman. “Ao contrário do que tem sido agradável para mim no passado – ou seja, alienando as pessoas ou fazendo escolhas com base no que eu acho que as pessoas não vão gostar ou entender. Coisa narcisista “.

Tillman possui vários canais e blogs onde divulga muito mais do que seu som:

Father John Misty

FatherJohnMisty.tumblr

MOSTLY HYPOTHETICAL MOUNTAINS

Father John Misty in Facebook

.0.

Brasileiros Yes

Desde o final do ano passado com o projeto “Outras Noites”, artistas como Rafael Castro e muitos outros vêem lançando versões de artistas que fizeram parte da nossa infância ou de nossos pais.

No primeiro semestre recebemos de braços abertos a coletânea “Re-Trato” com mais de 30 artistas cantando Los Hermanos.

Agora na semana do dia da nação fomos presenteados com o lançamento de “Brasileiros”. Disco que trás os novos musicos brasileiros cantando os mais belos clássicos.

Vale muito a pena conferir cada som e tirar suas próprias conclusões.

O disco virtual que saiu pela Pulsa Nova Musica trás 15 músicas, dentre Caetano, Gil, Milton e Mutantes (o que ja era de se esperar). Mas as versões de Cuitelinho (Pena Branca e Xavantinho) interpretado pelo Hierofante Púrpura e “O que é que a baiana tem?” por Bazar Pamplona realmente fizeram diferença, até o Nevilton fez bonito com “Amanheceu peguei a viola”

Vale a pena baixar e ouvir com seus velhos.

Reverberação

É o significado de Efterklang, uma banda dinamarquesa que faz o trip-prog-experimental rock de qualidade desde 2000.

Composta por três amigos de infância (Mads Brauer, Casper Clausen & Rasmus Stolberg) A banda, que hoje reside em Berlim, nos seus shows é acompanhada por outros musicos, como Peter Broderick (piano, etc), Budgie (bateria), Fogh Katinka Vindelev (coro) e muitas vezes também orquestras sinfônicas completas.

Efterklang é assinado para 4AD selo britânico e irá lançar seu 4 º álbum ‘Piramida “em 24 de setembro de 2012. E também lançou ‘Os Concertos Piramida “, que estreou em um concerto único, com a Orquestra Sinfónica de Sydney, em 26 de maio de 2012.

So What?

Desde de Marylin Manson eu não via algo tão freak, sensacional, o mais podre lúdico. A banda que grosseiramente falando é uma mistura de Creadle of Filth com Prodigy se intitula futuristik, flame-throw-flow-freeking e rap-rave.

Comçaram em 2007 mas só lançaram seu primeiro album $O$ em 2009 pela Zef Recordz e o video do single “evil boy” teve mais de 9 milhões de views.

Formado por Ninja (Watkin Tudor Jones: Produtor musical, rapper e vocal. faz parte da cena hip-hop à muitos anos), Yo-Landi Vi$$er (companheira de Ninja em outros projetos como The Constructs Corporation e MaxNormal.Tv ) e DJ HI-TEK

Nas palavras de Yo-Landi: “It’s associated with people who soup their cars up and rock gold and shit. Zef is, you’re poor but you’re fancy. You’re poor but you’re sexy, you’ve got style.”

No ano passado lançaram o curta Umshini Wam :

dieantwoord.com

SE LIGA NO BANG

Bar sujo, cerveja gelada, estilão de cowboy do asfalto… Não, não é festa de peão. É só a velha fórmula de fazer o bom rock`n roll. E é assim que você se sente quando escuta a Bang Town.

Formada em 2010 por três amigos que não aguentavam mais serem somente fãs do velho rock ‘n’ roll, mas queriam contribuir com a causa, a Bang Town começou a tomar forma. Com um som cru e sem medo de volume alto, cada música se transforma em um grito de liberdade.

Com influências dos dinossauros como AC/DC, e das promessas como Wolfmother, a Bang Town traz em seu som, riffs e letras que não se preocupam em ser rotuladas, mas em serem sentidas.

SLIDE!

Nunca a música instrumental esteve em tão alta frequência por aqui, bandas que ninguém sabia o nome hoje servem de molde para uma nova cena (nem tão nova assim).

Abrindo as cabeças engessadas da maioria praticamente na base da marretada sonora vemos um leque de bandas tomando a frente e criando seu próprio “esquema” no Brasil todo como o pessoal do norte Burro Morto e a (até então extinta) Caldo de Piaba, mais em baixo com o Macaco Bong , banda que tomou proporções interessantes de uns anos pra cá e no interior de São Paulo com os amigos do Aeromoças e Tenistas Russas. E o Timbrêra então enfiou a mão na caixola de timbres e puxou uma das bandas que mais faz o que se propõe.

Malditas Ovelhas! apresenta a mais recente produção musical do interior paulista, em composições próprias, novas tendências da música instrumental e inovadores formatos e sonoridades, numa diversidade de códigos e interpretações da cultura nacional.

Unindo ritmos percussivos brasileiros, principalmente nordestinos, com rock psicodélico, texturas, samples e experimentalismo, mostra que a música instrumental contemporânea brasileira está longe de esgotar suas possibilidades e influências.

Apresentaram-se em festivais, casas de shows e instituições culturais por todo Brasil. Possui um disco demo lançado em 2008 e reeditado no ano seguinte; um EP, denominado A Punga, lançado em 2011 e indicado à melhor disco de música instrumental pelo “Prêmio Dynamite 2012” e está em fase de pré-produção de seu primeiro álbum: Afinado a Fogo, Dançado a Coice e Tocado a Murro, com previsão de lançamento para o segundo semestre. A banda está na estrada de desde 2006 com os multi-instrumentistas Eduardo Rodrigues, Bruno Almeida, Yraê Araújo e Zé Guilherme Aquiles.

Em uma das apresentações aqui pela terrinha eles passaram pela sede do Coletivo GuerrilhaGig eles fizeram um ótimo show na Unesp-Franca junto com pessoal do Atmosfera Lunar (Banda instrumental Francana)

Pra saber mais :

 

DE LÁ E LÔ

“A educação é “rala”, a segurança é “faixa branca”, a saúde é “contaminada” e a cultura musical é muito “universitária”
É assim que o TimbrÊra apresenta Bernardo Freitas Chagas, um jovem publicitário de  28 anos, nascido em Ribeirão Preto. Poderia ser mais um cara qualquer falando qualquer coisa, não fosse pelo talento que embala essa frase.

Começou na música com doze anos, tirando um sonzinho no pianinho da irmã quando ela ainda tinha uns quatro anos. Ganhou um teclado de cinco oitavas, mas logo trocou por um violão e daí em diante foi só alegria. Aprendeu com um “professor” somente os sete acordes principais (C, D, E, F, G, A, B).

Hoje, Bernardo
“Compus minha primeira música na época da faculdade para um festival que a Fors promoveu. Em dezembro de 2010, juntei algumas canções que tinha criado nos anos anteriores e fiz o “Franco“, uma gravação caseira com 10 faixas.”

Todas estão disponíveis no soundcloud

Em maio desse ano Bernardo teve a faixa número um (Chuva de Bala) classificada para as eliminatórias do 14º Festival da Canção de Andradas, em Minas Gerais.

Durante seu curso de publicidade e propaganda focava em estudos de produção de áudio participando de festivais e concursos de publicidade. Em 2004 e 2005 ganhou dois prêmios pela APP (Associação dos Profissionais de Propaganda), Fest Áudio e Fest’In.

Já trabalhou em navios de cruzeiros transatlânticos e morou na Austrália por dois anos onde pode conhecer grandes músicos brasileiros e estrangeiros e dividir palco com eles em diversos bares, comunidades e casas de show.

Bernardo bebe de muitas fontes musicais. Algumas doses duplas de rock progressivo, virando alguns “shots” de embolada e um pouco da saya de los andes.

Com as facilidades da internet sempre explorando e pesquisando coisas novas,nunca parou de se interessar por ritmos.

Bernardo tem opinião formada sobre como andam as linhas artísticas no Brasil em uma visão mais ampla ainda completa:

A “massa cultural” do nosso país é chula, sem qualidade. O gosto do “povão”, em minha opinião, é desprezível. Principalmente para a música. Em grande escala se ouve melodias paupérrimas e letras fúteis e babacas. As gerações crescem cultuando o que é passado e mostrado a elas. O Brasil é muito extenso e populoso, portanto é muito difícil educar nossos jovens culturalmente e a mídia não contribui para uma mudança, muito menos o governo. Os investimentos são mínimos. A educação é “rala”, a segurança é “faixa branca”, a saúde é “contaminada” e a cultura musical é muito “universitária”, dificilmente vai ter pós-graduação. A música brasileira é a mais rica do mundo, sem sombra de dúvidas, mas os garimpeiros dessa riqueza não são os que recebem o valor do reconhecimento.

Eu valorizo a música que é feita com o sentimento, com o coração, com a alma, mesmo que eu não goste da canção. Parabéns a todos que exercitam seus dons a favor do crescimento da sabedoria e da reflexão. Saúdo aqueles que fazem da música fonte de transmissão de mensagens positivas, para um mundo melhor ou simplesmente para fazer bem a alguém.

A minha expectativa com a música no sentido de viver dela é um pouco ilusória, na medida em que toco não o que o “povo” gosta, mas sim o que eu gosto, porém ela nunca será desesperançosa.  Acho que a realização na arte deve ter início nesse princípio: fazer o que se gosta, o que se sinta bem em fazer. Tentarei sempre expressar meu estilo, meus pensamentos e minhas influências em minhas músicas.

Como disse Lobão no documentário “Loki” sobre Arnaldo Baptista, o triunfo na arte é a fusão do homem enquanto artista e do artista enquanto homem.

A arte só vai ser pura quando for feita por ela mesma, não por dinheiro, fama ou ascensão.

.
O CALIBRE DE SIMPLISTA
Direto do pequi com frango, na terra de asfalto quente e de polêmicas cachoeiras, no meio do serrado de João Caetano e tantos outros surge um cabôco brejeiro nadando, Fernando Simplista.
Cheio de amigos e parceiros, ele que saltou por essas bandas para fazer uma apresentação a alguns meses e agora lança ‘SIMPLISTA’, o primeiro disco de Fernando cantor e compositor que atua à sua maneira musical. Ele é aquele sujeito que pesquisa e que estuda o universo da música em transição. A partir do momento em que se congela se define ou divide o andamento a música nunca mais respira, nunca mais poderá se renovar de maneira que reutilização e a restauração não são termos utilizados apenas na educação ambiental, mas em todos os setores inclusive o musical. As músicas já existiam e foram ganhando mais cara ao longo dos ensaios com a participação de Danilo de Melo na bateria, Gabriel Cruz na percussão e samples, Aderson Maia no contra baixo e teclados, e a produção de Eduardo Kolody (guitarra, samples e efeitos). Labutaram cerca de um ano neste disco compondo arranjos extras que vieram a calhar. Diego de Moraes e Bruno Morabati dividem os vocais enquanto Gabriel Guedes e Daniel Mossman da Pata de Elefante tocaram suas guitarras na última faixa ‘Calibre’. Para os demais arranjos, flauta de Everton Luíz em ‘Cromaqui’, a viola clássica de Jeferson Leite em ‘Surpresas de amor matinais’ e o trompete de Yuri Guminiak em ‘Cariocasta’. Vale a pena conferir este disco por não se tratar de uma música (pré) enlatada ao contrário são canções que se ouvir com cuidado percebe-se claramente a riqueza de harmonia que deságua na ‘ciência dos acordes’ conforme o musicólogo oitocentista M. Fétis. De modo que a simplicidade e o rebuscamento trabalham harmoniosamente entre si na condição de parceiros.

Fernando Simplista: cantor e compositor

Simplista ainda disponibiliza seu disco on line na sua página  e em sua fan page

Fique com uma entrevista cedida por Fernando ao TimbrÊra, feita pelo jornalista Eduardo Pinheiro do jornal Diário da Manhã de Goiania.

EPFale um pouco como foi a produção do disco. Onde foi gravado e quem participou?

FS – A produção foi demorada, gastamos muito tempo compondo arranjos, detalhes etc. no fim das
contas levamos um ano e seis meses mais ou menos para concluir esse trabalho. Gravamos
no Volt Estúdio em Goiânia, participaram do disco Danilo de Melo (bateria), Eduardo Kolody
(guitarras e produção), Gabriel Cruz (percussão e samples) e Aderson Maia (baixo e teclados)
e não somente, chamei também Diego de Moraes para gravar uma música de nossa autoria e
de sua mãe Maria ‘Água no Jacá’, Bruno Morabati cantou nas músicas ‘Pretéritus’ (composição
de Aderson) e Cromaqui (segunda música do disco de minha autoria). Chamamos também
os caras da Pata de Elefante Gabriel Guedes e Daniel Mossman ambos tocaram guitarras
na faixa ‘Calibre’. Noutros arranjos tocaram Everton Luíz (flauta) em ‘Cromaqui’, a viola
clássica de Jeferson Leite em ‘Surpresas de amor matinais’ e o trompete de Yuri Guminiak
em ‘Cariocasta’.

EP– O disco tem dez músicas e dessas, três não são suas. Como foi seu processo de escolha do
repertório?

FS – Isso foi bem difícil, apesar de ter consciência que tenho música para três discos ainda assim
acabei querendo acrescentar ao repertório duas canções em especial que sempre curti muito
que são ‘Surpresas de amor matinais’ (Gabriel Cruz e Aderson Maia) e ‘Pretéritus’ (Aderson
Maia). Quando fui convocar o Aderson para participar deste trabalho eu já lhe pedi pra
gravá-las e não mudei de opinião, e depois que começamos a ensaiar aqui no sítio ele me
mostrou ‘Superfície Surreal’ que estava desmontada vamos dizer assim, ele tinha uma linha
de vocal mais ou menos definida e a harmonia da música também só que soltas, o que fiz nela
foi aqueles ‘ganchos’ pra juntar as partes e cantei do meu jeito nela. Ao longo de um ano de
ensaios fomos encontrando juntos o caminho das pedras de ‘superfície Surreal’. Acho que nesse
sentido eu acertei apesar de bancar o disco com meu próprio dinheiro eu quis gravar essas três
e assim acabei lançando como compositores Gabriel e Aderson.

EP– Percebo uma maturidade na produção da música daqui de Goiânia. Me parece que na
última década houve um salto na qualidade da gravação mesmo, da escolha dos timbres,
equalização, mixagem etc. A que se deve a isso? Aprendemos a gravar música?

FS – Cara há dez anos mal tínhamos recursos na internet como o youtube, garage band que
vão chegar pra gente depois e que vão permitir divulgar, ouvir, gravar músicas do mundo
inteiro sem falar de outros softwares profissionais que surgiram para auxiliar a galera dos
estúdios. Na medida em que se evoluía a tecnologia dos softwares apareciam mais cursos de
capacitação para moçada aprender a gravar, comparar gravações, ousar e desfrutar o máximo
dessas tecnologias. Mas percebo que ainda há muito que se evoluir nesse sentido. O Lobão por
exemplo gravou um disco inteiro em seu apple usando aqueles programas, a Tulipa Ruiz faz
seus rascunhos musicais no garage band é dali que a música vai ganhando forma.

EP Seu disco foi disponibilizado para streamming e para download no seu site. Como um
músico pode ganhar dinheiro com sua arte hoje em dia? Música gratuita é o caminho?

FS – Músico ganha por show, basta ver os artistas saindo de casa para voltar aos palcos como é o
caso do Chico Buarque. Os artistas consolidados já admitem isso que a indústria fonográfica
ruiu e quem quiser ganhar um sustento com música vai ter que botar o pezinho pra fora
de casa. Funções que existiam antes em gravadoras deixaram de existir pois a internet
interveio e mostrou outros caminhos pra se trilhar, foi a redenção dos artistas que como eu
que já chegaram num momento em que não se precisa mais pedir benção pros diretores das
grandes gravadoras, elas que vão atrás agora, ainda bem. Desde que comecei já partia com a
consciência de que a música hoje é free basta ver as idéias dos caras do Radiohad que soltam
na internet seus discos de graça praticamente, daí penso por que eu um reles compositor de
Goiás vai querer segurar pilas de discos em casa se posso jogar na rede para as pessoas irem se
familiarizando e compartilhando por ai? Que nada, eu vou é liberar geralzão rsrs.

EPO disco passeia por diversos gêneros musicais, principalmente o folk, o pop, psicodelia e o
samba, com o rock dando a liga. Como lidar com as referências sem soar reverente demais?

FS – Costumo não me prender em nada, minha busca é soar legal até me agradar, busca insana,
muitas vezes alguma coisa não vai bem e não me agrada, às vezes um uso excessivo de
qualquer elemento me remete à minha obsessão de ser escancarado, fico depressivo, quero
matar aquilo logo! Eu sou um assassino, the killer of the things! Algo me diz: ‘cale a boca’ eu
respondo: ‘fuck you’.

Em apresentação com os parceiros Bruno Morabati(Clube dos Bagres), Leo (Projeto Paiero) e Eduardo Berdu (Magma Safari)

EP ‘Cariocasta’ é uma música que traz uma ginga carioca, inclusive com um trecho de uma
entrevista do Raul Seixas sobre a cidade e o canto da torcida do Flamengo no final. O Rio é a
sua Highway 61? rsrs

FS – Hahaha, pode-se dizer. É que sou tocado esteticamente mesmo. Fetiche. Aquela fala do Raul
o Gabriel apareceu com ela num belo dia de ensaio, mas antes disso eu tinha achado esse
vídeo no youtube naquelas navegadas que o sujeito vai horas a fio pelas veias da vida de um
artista tão especial como Raulzito que eu ainda criança li uma matéria no jornal falando de sua
trajetória, aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Raul é atropelado por uma onda e isso é
pra segurar barra de onda, que louco isso cara!

EP Você está ligado na música brasileira atual? Quem você acha que deve ser conhecido pelo
público?

FS – Eu. Rsrs. To tão ligado na música do planeta e de outras esferas também quando nas incursões
que às vezes eu tenho que virar pro Fernando e dizer: ‘ei, vai cuidar da sua música, por favor’.

EP Me parece que há um descompasso no Brasil, enquanto vemos surgir uma boa geração
de músicos e compositores, as rádios e a tv não acompanham esse processo. Os músicos não
estão sabendo dialogar ou os meios de comunicação estão fechados? Como solucionar isso?

FS – Pode ser uma somatização, mas acredito que o Brasil não gosta do Brasil como diz Maurício
Tapajós e Aldir Blanc em ‘Querelas do Brasil’, e como dizia o maestro Jobim: ‘ sucesso no Brasil
é ofensa pessoal’ Tom tinha toda razão quando dizia isso porque ele foi vítima de deboche
por vários anos a fio antes de gravar com Sinatra. Só depois do sucesso na gringa é que
começaram a respeitá-lo, tal qual Ton Zé que também sofreu com isso, quase morreu até como
ele próprio contou, também o Arthur Verocai mesma coisa. Pra que melhor exemplo que o
grande Villa? Villa Lobos falava cada coisa que você desentende. E eu nisso (volta à história do
goianão) que nem beiro ao talento desse povo sofro ainda pior. Mas não quebro não porque
sou macio!

EP Com o disco já pronto, quais são seus planos daqui pra frente? Fale sobre possibilidade
de shows, a banda que te acompanhará, se existe possibilidade de lançar o disco em formato
físico etc.

FS – Bom, agora que estou respirando normalmente juro que estou pronto pra outra. Foi um
longo tempo de trabalho diário pensando naquilo, agora quero pensar mais “leve”, quero ir
assimilando, conversando com as pessoas que se interessam por meu trabalho, botar o pé na
estrada e não me prender a nada e a ninguém. Esse lance de artista solo é estranho a coisa fica
feia quando querem mandar em seus acordes rsrs. Embarquei e agora já era. Quero deixar
o tempo rolar e não tenho pressa. Foram 10 anos de lá pra cá, to tranquilo focado nos meus
compromissos que não são poucos. Final deste mês o Moita da ‘Porcas Borboletas’ vai chegar
e nós vamos gravar o ‘Calma’ meu segundo disco. As músicas foram compostas de agosto
pra cá, não quis gravar coisas antigas porque de certa forma quero fazer outra coisa com elas
num futuro qualquer. São 12 sambinhas ordinários que compus nesse período em que já tinha
terminado as gravações do ‘simplista’ e não me segurava de ansiedade. Devo lança-lo ao final
deste ano. Vai ser só eu e o meu violão e alguns barulhinhos. Tem música com o Brandão e
outra com o Diego. O disco 1 (simplista) já mandei prensar, em Setembro tá chegando nos
meus correios.

SUPER BACANA

As influências tropicalistas, os shows performáticos e as guitarras ardidas não são os únicos temperos que dão o sabor na sonoridade completamente ambígua da banda “Os Rélpis”.
Com apenas dois anos de formação a banda nascida das laranjeiras em Araraquara-SP impressiona com a presença em cima dos palcos.
Parceira do Coletivo Colmeia Cultural a banda circula pelo FDE e comenta como foi sua tour pelo interior devastando os ouvidos e causando um espanto gostoso com quem tem seu primeiro contato transcendental.
Após recebe-los na terra do Capim Mimoso no Festival Zé Brasil em parceria com o nosso Coletivo GuerrilhaGig a primeiríssima entrevista não poderia ser diferente.
Aprecie sem moderação!

Timbrera: Quem são Os Rélpis?

Os Rélpis: Sabêdeuz, Dara, Artur, Mark, Pedro, Renato, Conra, Kito, Caiubi, Barone, Gelsner e Garboso… São os nomes dos fecundados Rélpis! Surgimos exatamente dessa fecundação dentro do óvulo Aracoara e sua música brasiliana, embora porém, mamãe também tenha pulado a cerca e se engraçado com o resto do mundo! Surgiu na mistureba de sons étnico-culturais, o que chamamos na brincanagem de: “Rélpinismo”. Apenas para nos engasgar em gargalhadas, não que seja um movimento e isso penda para um lago gigantesco de pré-acharmos o que somos, ou podemos ser! Afinal, somos mesmo é um bando de anti-sociais, que fazemos arte para que possamos ficar de castigo em nosso quarto, trancados em nosso mundo! Confortante, não?! Mas nossa casa não tem teto, não tem parede, não tem nada… Então na verdade estamos sempre entrelaçados ao todo que nos rodea, íntimos de todos os nós que possam existir!
T: Qual o significado dOs Rélpis?

R: Rél.pis adj.: diz-se de uma pessoa multicolorida, horizontal,
comicamente dramática e caricata; “uma pessoa rélpis”. É o seguinte, foi o que tiramos de conclusão desse tão batráquio, retombante, estrombólico adjetivo vindo de uma gramática até então desconhecida, que pode ser de línguas Maõnicas! Tenho a impressão que poucos, porém alguns humanos crêem nessa hipótese… Sim, nós mesmos!

T: Como se deu a trajetória dOs Rélpis?

R: Estamos começando a andar agora, aos poucos… Temos apenas 2 anos de formação, e 1 ano e meio de estrada, não somos filhotes de Guinú que tem que sair correndo em cinco minutos senão a Chita pega! Então, é mesmo por traçar o caminho devagar que continuamos indo… Obrigado mãe de todos, obrigado pai nosso!

T: De onde vem a sonoridade de vocês?

R: Digamos, que rola basicamente de tudo. Alguns exemplos são:  The Beatles, The Rolling Stones, The Yardbirds, The Who, The Kinks, The Turtles, The Troggs, The Monkees, Talking Heads, Ray Charles, Miles Davis, David Bowie, Creedence Clearwater Revival, todo o resto que começa com THE e mais uma infinidade de bandas e músicos estrangeiros. Nas brasilidades, partindo de Araraquara ouvimos uma banda dos anos 60 daqui chamada The Jungles, e vamos azeitando com Clara Nunes, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes, Alvarenga e Ranchinho, Elis Regina, Joelho de Porco, etc.
Eternos nomes de todos os gêneros musicais! Desculpem por essa resposta sair mais séria na escrita. É que assunto sério tem que ser levado assim mesmo!
T:Como se dá a relaão entre a banda e o circuito FDE?

R:A banda caminhou 6 meses antes de entrelaçar os pezinhos com o Fora do Eixo, portanto da nossa parte, a visão dessa cena bela que se desenvolve hoje tem esses óculos. Estamos caminhando conforme a música toca, e buscamos sempre alinhar palco, estúdio, produção da banda e o desenvolvimento da cena local, pois acreditamos que nesse cenário que se escreve não tem como caminhar com patinhas alheias.
T: Os shows são bastante performáticos, para vocês qual é a relação da música com o teatro?
R: Acho que resumidamente, tudo é arte, qualquer forma pura-sentimental/revoltada-agressiva/carinhosa-romântica/solitária-punida/amarga-perfumada/etc… É expressão que não tem fim, somos esculturas, aquele cheiro de tinta fresca na tela, somos música, somos peça! Já, a relação da música com o teatro, é a arte e todas as suas formas!
T:Como foi a turnê que vocês fizeram recentemente?

R:Essa turnê por mares nunca antes avistados foi de muita valia pro nosso processo enquanto nenens engatinhantes, nos mostrando novos focos e reforçando o trabalho desenvolvido até então. É  sempre interessante e muito gratificante chegar num lugar nunca antes avistado por nós, apresentar nossas canções nada convencionais, e receber muitas críticas e elogios.
Foi também muito interessante o processo de gestão da turnê, desde o entendimento da idéia, até o desenvolvimento de infinitas planilhas, calculos orçamentários desanimantes, e ver no final que tudo da certo! Muito bonito!  

As respostas foram dadas um grão por integrante.

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